Cardiologista volta a ser preso pelo feminicídio da esposa em Campo Grande
Armas foram apreendidas pela polícia O médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, foi preso por suspeita do feminicídio da esposa, a fisioterapeuta ...
Armas foram apreendidas pela polícia O médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, foi preso por suspeita do feminicídio da esposa, a fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos. O crime ocorreu em 18 de maio, na chácara onde o casal morava, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande. O mandado de prisão foi expedido no final da tarde desta sexta-feira (14) pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri. A prisão é preventiva. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Em nota, o advogado José Belga Trad, que atua na defesa do médico, classificou a prisão como “descabida” e informou que vai tentar reverter a decisão. Confira a nota na íntegra. "Prisão descabida. O inquérito não foi concluído e o processo nem começou. A verdade precisa ser apurada no processo e, para tanto, é indispensável, elementar, fundamental, por assim dizer, que o investigado e sua defesa sejam ouvidos e tenham o direito de produzir as suas provas e contestar as provas produzidas pela investigação. Isso se faz durante o processo, que nem começou, porque sequer denúncia há contra o Dr. João. Vamos tomar as providências contra esse absurdo que aconteceu", comentou o advogado. José Belga não deu mais detalhes sobre a prisão. Conforme apurado pelo g1, a prisão ocorre após a perícia descartar que a vítima tenha tirado a própria vida, como afirma o médico desde a morte da fisioterapeuta. O inquérito do caso está em fase de conclusão. Ele ficará em prisão especial devido à idade e por ter diploma de nível superior, conforme prevê a lei. O médico passa por audiência de custódia na manhã deste sábado (15), no Fórum de Campo Grande, conforme a pauta do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Em nota, a família da fisioterapeuta afirmou que Fabiola foi vítima de um "cruel feminicídio" e repudiou as afirmações de que ele teria tirado a própria vida. Veja a nota na íntegra no final da reportagem. Prisão em maio João Jazbik chegou a ser preso após o crime, mas foi solto, no dia 23 de maio, com tornozeleira, após a Justiça conceder um habeas corpus solicitado pela defesa. À época, João Jazbik foi preso por fraude processual e posse irregular de arma de fogo após a morte da esposa. Ele nega envolvimento com a morte da fisioterapeuta. O caso chegou a ser tratado como suicídio, mas logo evoluiu para suspeita de feminicídio. A morte é apurada pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). LEIA TAMBÉM: Cardiologista é preso após polícia encontrar armas sem documentação em casa onde esposa foi encontrada morta Polícia aponta divergências e abre inquérito para investigar morte de esposa de cardiologista Justiça mantém prisão de médico investigado em morte de fisioterapeuta Fabiola foi atingida por um tiro na cabeça dentro da residência. João acionou a polícia e afirmou que a esposa teria tirado a própria vida. O médico foi preso após a polícia encontrar armas sem documentação na casa dele, na região da Chácara dos Poderes. João Jazbik Neto, dentro da sua casa em Campo Grande, junto do advogado e policiais. Willian Guedes/ TV Morena Na terça-feira (19), dia seguinte ao crime, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) informou ter encontrado divergências nos depoimentos do médico, de testemunhas e de outros envolvidos. A investigação apontou que o médico teria pedido ao caseiro e a um ex-funcionário que transferissem um armário com armas e munições para outro imóvel da propriedade. Para a polícia, a conduta configura fraude processual. Os três foram autuados em flagrante. Perícia preliminar indicou que a lesão na cabeça da vítima não seria compatível com a versão apresentada pelo médico. O que diz a família da fisioterapeuta A família de FABIOLA MARCOTTI manifesta-se diante da recente repercussão do caso e da nova PRISÃO PREVENTIVA de JOÃO JAZBIK NETO, decretada no âmbito da investigação de sua morte. Para a família, Fabiola foi vítima de um cruel feminicídio. Essa convicção não nasce de desejo de vingança ou de julgamento antecipado, mas das circunstâncias reveladas ao longo da investigação e dos elementos técnicos que, progressivamente, passaram a colocar sob sério questionamento a versão de suicídio inicialmente apresentada. Diferentemente do que se tem procurado fazer crer, a prisão preventiva não decorre de medida precipitada ou desprovida de fundamento. Foi determinada pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, magistrado de larga experiência na condução de processos submetidos ao Tribunal do Júri, após análise dos elementos apresentados no curso da investigação. A família respeita o devido processo legal, a presunção de inocência e o direito de defesa, mas também respeita e confia na atuação das instituições responsáveis pela apuração dos fatos. A família repudia, contudo, as reiteradas tentativas de apresentar à opinião pública a hipótese de suicídio como verdade consolidada, justamente quando os elementos já divulgados vêm colocando essa narrativa sob profundo questionamento. Segundo informações já públicas, exames periciais apontaram ausência de sinais característicos de disparo a curta distância, circunstância incompatível com a simplicidade da narrativa inicialmente apresentada. Ao mesmo tempo, com a prudência técnica que tem marcado sua atuação, a própria DEAM esclareceu que a investigação permanecia em curso e dependia da análise do conjunto das provas e laudos periciais. É precisamente nesse ponto que a família faz questão de registrar seu mais profundo reconhecimento à Delegada ANALU LACERDA FERRAZ e a toda a equipe da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher – DEAM. Desde os primeiros momentos, a Delegada Analu demonstrou independência, coragem institucional, serenidade, rigor técnico e sensibilidade para investigar a morte de uma mulher sob a necessária perspectiva de gênero. Quando seria mais fácil aceitar uma versão aparentemente pronta, escolheu investigar. Quando surgiram divergências, escolheu confrontá-las com os vestígios, com os depoimentos, com a perícia e com a ciência. Não antecipou conclusões, mas também não ignorou sinais. Não se curvou a narrativas. Deixou que as provas conduzissem a investigação. Segundo os elementos reunidos, houve ainda suspeita de alteração da cena em que Fabiola foi encontrada, com retirada de armas e munições do local, circunstância grave e que reforça a necessidade de uma investigação técnica, independente e rigorosa. Fabiola não pode mais apresentar sua versão. Não pode responder. Não pode se defender. Por isso, a família não permitirá que seu silêncio seja utilizado contra sua própria memória. Tudo isso ocorre durante o Agosto Lilás, mês nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher, campanha que nasceu justamente em Mato Grosso do Sul. Para nossa família, neste ano, o Agosto Lilás deixou de ser apenas uma campanha. Passou a ter um rosto. O rosto de Fabiola. Veja mais vídeos de Mato Grosso do Sul.