Defesa de influenciadora que agrediu shih-tzu de 40 dias alega transtornos psiquiátricos e pede liberdade

Influencer é presa após gravar e postar vídeo chutando filhote de cachorro em MS A defesa da influenciadora Gabriela Cervantes Pereira, presa após aparecer ...

Defesa de influenciadora que agrediu shih-tzu de 40 dias alega transtornos psiquiátricos e pede liberdade
Defesa de influenciadora que agrediu shih-tzu de 40 dias alega transtornos psiquiátricos e pede liberdade (Foto: Reprodução)

Influencer é presa após gravar e postar vídeo chutando filhote de cachorro em MS A defesa da influenciadora Gabriela Cervantes Pereira, presa após aparecer em vídeos arremessando e chutando uma filhote de shih-tzu de 40 dias, alegou que ela possui transtornos psiquiátricos e pediu à Justiça que responda ao caso em liberdade. Em nota ao g1, a defesa afirmou que Gabriela faz tratamento no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Aquidauana (MS) e que o quadro de saúde mental deve ser considerado na apuração. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Documentos anexados ao processo mostram que ela é acompanhada pela unidade e faz uso de medicamentos controlados. Veja a nota na íntegra no fim da reportagem. Os autos também reúnem vídeos publicados por Gabriela antes de ser presa, nos quais ela aparece com a cachorra no colo, nega ter cometido as agressões e afirma que o animal estava saudável. “Ela está bem, dá uma olhadinha. [...] Eu não chutei a minha cachorrinha. [...] Eu jamais vou maltratar o meu bichinho”, disse. Na gravação, Gabriela afirma que a cachorra, então chamada Pandora, havia sido levada ao veterinário e a um pet shop e não estava machucada. Ela também pede desculpas a quem, segundo ela, teria “entendido errado” o vídeo. “Eu apenas estava brincando com a minha cachorrinha. [...] Não joguei a minha cachorra com força no chão do jeito que estão achando pelo vídeo. Nem tudo no vídeo é o que acontece.” Após ser localizada pela Polícia Civil, Gabriela admitiu ter produzido os vídeos e afirmou aos investigadores que as agressões teriam sido feitas “com o intuito de brincadeira”, segundo os autos. Nas imagens que provocaram as denúncias, a influenciadora aparece segurando a filhote e a arremessando no chão, de uma altura próxima à cintura. Em seguida, chuta o animal, que fica acuado. Durante a gravação, Gabriela diz: “Vai, vai, vai. Chama o delegado, chama o delegado para pagar seu veterinário. Chama, chama, chama”. Cachorro aparece levando chute de tutora Reprodução Defesa alega transtornos psiquiátricos No pedido de liberdade, a defesa afirma que Gabriela possui transtorno de personalidade borderline e episódio depressivo grave e sustenta que o quadro afeta o “discernimento e a estabilidade comportamental” dela. Documentos anexados ao processo mostram que Gabriela iniciou acompanhamento no CAPS em maio de 2025, com psicoterapia e atividades terapêuticas, além do uso de medicamentos controlados. Os registros apontam os códigos CID F63 e F60.9 ainda “em investigação”. A defesa argumenta ainda que Gabriela tem residência fixa, não possui condenação penal definitiva e que a filhote já está afastada dela. O advogado pediu liberdade provisória sem fiança. Caso a Justiça entenda pela aplicação de restrições, a defesa sugeriu medidas como comparecimento periódico em juízo e proibição provisória de manter animais domésticos sob sua guarda. Filhote foi resgatada A shih-tzu foi resgatada pela Polícia Civil após a repercussão dos vídeos. Quando os investigadores chegaram à casa de Gabriela, encontraram a filhote apática e amedrontada. A cachorrinha recebeu o nome de Esther e está temporariamente na casa da delegada Tatiana Zyngier, que acompanhou o caso e pretende viabilizar a adoção definitiva do animal. Gabriela foi presa em flagrante por maus-tratos contra cão. O crime prevê pena de dois a cinco anos de prisão, multa e proibição da guarda. A Polícia Civil pediu à Justiça que a prisão em flagrante seja convertida em preventiva. A defesa, por outro lado, pediu liberdade provisória sem fiança. Até a última atualização desta reportagem, a Justiça ainda não havia decidido se Gabriela permaneceria presa ou responderia ao caso em liberdade. O processo foi encaminhado ao Ministério Público nesta quinta-feira (10). Animal está em lar temporário com delegada de MS Tatiana Zyngier Veja a nota da defesa na íntegra “Diante da ampla circulação de gravações audiovisuais em redes sociais e da repercussão gerada sobre a custódia da representada em 09 de setembro de 2026, cumpre destacar que os fatos encontram-se em estágio inicial de apuração perante a Polícia Civil e o Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso do Sul. O animal filhote da raça Shih Tzu foi devidamente recolhido pelas autoridades, encontrando-se sob salvaguarda estatal e submetido à avaliação clínica por médico-veterinário para atestar suas condições de integridade física e saúde. Importa pontuar, de forma estritamente técnica, que Maria Gabriela Pereira Servantes Jesus é pessoa em situação de profunda vulnerabilidade psiquiátrica, portadora de transtorno de personalidade borderline e episódio depressivo grave, sob investigação e acompanhamento com diagnósticos CID F63 e F60.9. A representada realiza tratamento psiquiátrico e multidisciplinar continuado no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II) do Município de Aquidauana/MS, fazendo uso diário de medicamentos de controle especial prescritos, tais como Venlafaxina, Carbonato de Lítio e Amitriptilina. O episódio registrado deve ser compreendido à luz desse delicado e comprovado quadro clínico de saúde mental, o qual afeta diretamente o discernimento e a estabilidade comportamental da paciente, circunstância que já está sendo detalhadamente demonstrada nos autos competentes para a devida valoração jurídica. A defesa técnica reitera que a persecução penal no Estado Democrático de Direito exige a rigorosa observância das garantias fundamentais insculpidas na Constituição Federal, em especial o princípio da presunção de inocência, a dignidade da pessoa humana e o devido processo legal, nos termos do artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal. O ambiente adequado para a demonstração das provas, da integridade do animal e da inimputabilidade ou semi-imputabilidade decorrente de patologia mental é o processo judicial, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, e não o tribunal sumário do clamor social. Por tais razões, a defesa apela à serenidade, à empatia e à responsabilidade da imprensa e dos usuários de redes sociais, para que cessem atos de incitação ao ódio, intimidação ou exposição vexatória de dados íntimos de saúde. A defesa técnica reafirma seu irrestrito compromisso com a elucidação responsável da verdade perante o Juízo da Vara Criminal da Comarca de Aquidauana/MS.” Cachorro foi agredido por influencer em Aquidauana. Redes Sociais/Reprodução Veja mais vídeos do Mato Grosso do Sul