Frigoríficos de MS dão férias coletivas e reduzem abate de carne bovina após Brasil atingir 80% de cota da China
Brasil está prestes a atingir o limite da cota de exportação de carne bovina para China Frigoríficos de Mato Grosso do Sul anunciaram, nesta sexta-feira (24...
Brasil está prestes a atingir o limite da cota de exportação de carne bovina para China Frigoríficos de Mato Grosso do Sul anunciaram, nesta sexta-feira (24), férias coletivas e redução no abate de bovinos após o Brasil atingir 80% da cota estipulada pela China para 2026. A informação foi confirmada ao g1 pelo Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems). Segundo o presidente do sindicato, Régis Comarella, as férias coletivas e redução do ritmo de abates são estratégias adotadas pelos frigoríficos para tentar minimizar os impactos da sobretaxa. Segundo o representante do setor, novos embarques foram interrompidos a partir de julho. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp 🔎 O governo chinês informou na terça-feira (21) que as exportações brasileiras de carne bovina já haviam atingido 80% da cota de 1,1 milhão de tonelada estabelecida para 2026 dentro do mecanismo de salvaguarda. Na prática, esse limite funciona como um teto: se o Brasil ultrapassar esse volume, a carne exportada acima da cota passará a pagar uma tarifa adicional de 55% a partir do terceiro dia após o excesso. 🔎🔎 As salvaguardas são mecanismos previstos nas regras do comércio internacional que permitem a um país impor tarifas extras temporárias quando considera que o aumento das importações pode prejudicar sua produção interna. A China é o principal cliente da carne brasileira e comprou cerca de 1,6 milhão de toneladas em 2025. O país também é o principal comprador da carne sul-mato-grossense. Conforme dados da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), a China foi responsável por 39% das exportações do produto no estado no primeiro semestre deste ano. Veja os países para onde o Brasil mais exportou carne bovina em 2025; exportações de carne bovina Kayan Albertin/g1 Férias coletivas e redução de abate eram esperadas Régis explicou que a redução no abate já era esperada e, caso a cota seja ultrapassada, a exportação da carne brasileira à China é sobretaxada em 55%, além dos 12% já aplicados, totalizando 67% a mais pagos para enviar o produto ao país. Em Mato Grosso do Sul, os frigoríficos que entraram em férias coletivas são: JBS (Campo Grande) Iguatemi Beef (Iguatemi) Boibras (São Gabriel do Oeste) Além dessas indústrias, outros dois anunciaram redução no abate: Frigo Sul (Aparecida do Taboado) Natura Frig (Rochedo) "Não tivemos demissões ainda, mas vamos ver agora, no decorrer desse mês como vai ficar. Mas o mercado está bem complicado, oferta de boi retraída, venda também muito ruim, preços não condizem com o preço hoje da arroba no mercado interno. Tudo isso faz com que os frigoríficos tomem essa decisão", explicou o presidente do Sicadems, Régis Comarella. Para o presidente da Fiems, Sérgio Longen, mesmo diante do cenário, é importante manter o diálogo com o país. "Situações como essa reforçam a importância de ampliarmos a presença da indústria de Mato Grosso do Sul em novos mercados. A China seguirá sendo um parceiro estratégico, mas não podemos depender de um único destino. Entendemos que diversificar as exportações é fundamental para reduzir riscos e criar novas oportunidades para a indústria", disse. O que dizem os frigoríficos O Naturafrig disse ao g1 que os efeitos da cota chinesa já eram sentidos pelo frigorífico e a opção foi de reduzir os abates em torno de 30%. O g1 entrou em contato com a JBS, Iguatemi Beef, Boibras e Frigo Sul, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. MAPA suspendeu a autorização do frigorífico da JBS em Campo Grande para exportar para os EUA Reprodução/TV Morena Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: