'Lista suja' do trabalho escravo inclui 10 empregadores de MS; veja quem são

Trabalhadores viviam sem alojamento adequado em uma fazenda, localizada na zona rural de Porto Murtinho (MS) MPT MS A atualização mais recente do Cadastro de ...

'Lista suja' do trabalho escravo inclui 10 empregadores de MS; veja quem são
'Lista suja' do trabalho escravo inclui 10 empregadores de MS; veja quem são (Foto: Reprodução)

Trabalhadores viviam sem alojamento adequado em uma fazenda, localizada na zona rural de Porto Murtinho (MS) MPT MS A atualização mais recente do Cadastro de Empregadores, conhecida como “lista suja” do trabalho escravo, divulgada na segunda-feira (6), incluiu novos nomes de Mato Grosso do Sul. O documento reúne empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. No estado, dez empregadores foram incluídos nesta atualização específica. Entre eles, há fazendas e empresas localizadas em diferentes municípios sul-mato-grossenses, com predominância da atividade agropecuária. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Entre os casos listados estão: Agropecuária Formosa Ltda, em Bonito (7 trabalhadores); Agropecuária GMS Ltda, em Maracaju (4 trabalhadores); Edmur Miglioli Junior, em Anastácio (3 trabalhadores); Haroldo Henrique Rapozo Luizari, em Porto Murtinho (22 trabalhadores); Jessica Aparecida dos Santos, em Deodápolis (11 trabalhadores); José Domingos Lot, em Paraíso das Águas (16 trabalhadores); Leonice Vilharga de Brito, em Camapuã (1 trabalhador); Luis Alberto de Souza, em Caracol (3 trabalhadores); Marcelo Botassini Ambiental Ltda, em Coxim (10 trabalhadores); Valdir Fernandes Pessoa, em Itaquiraí (7 trabalhadores). Ao todo, 84 trabalhadores foram encontrados em condições irregulares nesses casos mais recentes no estado. O g1 tentou contato com todos os citados, mas, até a última atualização desta reportagem, alguns não foram localizados e outros não atenderam às ligações. Saiba o que é trabalho escravo Estado soma 28 registros na lista Com a nova atualização, Mato Grosso do Sul passa a ter 28 registros ativos no Cadastro de Empregadores. Os nomes incluem tanto pessoas físicas quanto empresas de diferentes setores, principalmente ligados à agropecuária e ao extrativismo. As ocorrências estão distribuídas por cidades como Corumbá, Bonito, Maracaju, Caracol, Ribas do Rio Pardo, Porto Murtinho, Anastácio e Dourados. A lista completa traz dezenas de empregadores identificados por códigos, incluindo nomes como Airton de Araujo Gomes, Alberto Junior Pellin, Aparecido Christofolli, Carlos Alberto Tavares Oliva, entre outros, além das empresas e produtores rurais já citados. O que é a “lista suja” 'Lista suja' do trabalho escravo é atualizada com 159 novos nomes A “lista suja” é um documento público divulgado duas vezes por ano pelo Ministério do Trabalho. O objetivo é dar transparência às ações de fiscalização e combater o trabalho análogo à escravidão no país. A inclusão ocorre após processos administrativos concluídos, com garantia de defesa aos empregadores, conforme regras estabelecidas por portaria federal. Dados nacionais Em todo o país, 169 novos empregadores foram incluídos na atualização mais recente, um aumento de 6,28% em relação à lista anterior. Desse total, 102 são pessoas físicas e 67 são empresas. Os novos registros estão ligados ao resgate de 2.247 trabalhadores em condições de exploração entre os anos de 2020 e 2025. As atividades com mais ocorrências foram: Serviços domésticos; Criação de bovinos para corte; Cultivo de café; Construção de edifícios; Preparação de terreno, cultivo e colheita. Por outro lado, 225 empregadores foram retirados da lista após completarem dois anos no cadastro, prazo previsto nas regras. Os estados com maior número de inclusões foram Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Paraíba. Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com 10 novos registros nesta atualização. Como alguém vai parar na ‘lista suja’? 1. Auditores-fiscais do trabalho do MTE realizam constantemente ações fiscais de combate ao trabalho análogo à escravidão, que podem contar com a participação de integrantes da Defensoria Pública da União, dos Ministérios Públicos Federal e do Trabalho, da Polícia Federal, Polícia Rodoviária, entre outras forças policiais. 2. Quando, durante essas ações, são encontrados trabalhadores em condição análoga à escravidão, um auto de infração é lavrado. 3. Cada auto de infração gera um processo administrativo, no qual as irregularidades são apuradas e os empregadores têm direito à defesa. 4. Pessoas físicas ou jurídicas só são incluídas na “lista suja” quando o processo administrativo que julgou o auto específico de trabalho análogo à escravidão em relação àquele empregador é concluído, com decisão sem possibilidade de recurso. ⚠️ Como denunciar? Denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma remota no Sistema Ipê, lançado em maio de 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho. Este é o canal específico para denúncias de trabalho análogo à escravidão. O denunciante não precisa se identificar, basta acessar o sistema e inserir o maior número possível de informações. A ideia é que a fiscalização possa, a partir dessas informações do denunciante, analisar se o caso de fato configura trabalho análogo à escravidão e realizar as verificações no local. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: