MPT lança política nacional de proteção às mulheres que leva nome de jornalista vítima de feminicídio em MS

Caso Vanessa Ricarte O Ministério Público do Trabalho (MPT) lançou nesta quinta-feira (20), em Campo Grande, uma política nacional de combate à violência ...

MPT lança política nacional de proteção às mulheres que leva nome de jornalista vítima de feminicídio em MS
MPT lança política nacional de proteção às mulheres que leva nome de jornalista vítima de feminicídio em MS (Foto: Reprodução)

Caso Vanessa Ricarte O Ministério Público do Trabalho (MPT) lançou nesta quinta-feira (20), em Campo Grande, uma política nacional de combate à violência doméstica contra a mulher e de incentivo à inserção das vítimas no mercado de trabalho. A iniciativa leva o nome da jornalista sul-mato-grossense Vanessa Ricarte, que era servidora do órgão em Mato Grosso do Sul e foi morta pelo ex-companheiro em fevereiro de 2025. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp O programa tem como objetivos conscientizar a sociedade, acolher trabalhadoras vítimas de violência e ampliar as oportunidades de emprego formal para essas mulheres, contribuindo para que rompam o ciclo de dependência financeira e consigam deixar ambientes violentos. A nova política nacional foi desenvolvida pela Procuradoria-Geral do Trabalho (PGT) em conjunto com a Procuradoria Regional do Trabalho da 24ª Região, responsável pela atuação do MPT em Mato Grosso do Sul. De acordo com o procurador-geral do Trabalho, Vilaus Araújo de Oliveira, o crime que tirou a vida de Vanessa serviu como um alerta para a instituição. Segundo ele, o avanço dos índices de violência doméstica exige uma mobilização que ultrapasse a divisão de atribuições entre as áreas criminal e trabalhista. O programa está estruturado em quatro eixos principais. O primeiro é voltado ao público interno e prevê ações de acolhimento, capacitação e apoio para procuradoras, servidoras, estagiárias e funcionárias terceirizadas. A procuradora-chefe do MPT em Mato Grosso do Sul, Cândice Arosio, explicou que o órgão precisa estar preparado para identificar sinais de abuso e atuar de forma preventiva na proteção das colaboradoras. Vanessa Ricarte foi vítima de feminicídio em Campo Grande. Redes sociais/Reprodução Outra frente estabelece que o MPT deverá cumprir cotas para a contratação de mulheres vítimas de violência doméstica em seus próprios contratos de prestação de serviços. Na atuação voltada ao público externo, o órgão pretende articular parcerias com empresas privadas e organizações da sociedade civil. A proposta é qualificar essas mulheres e facilitar sua entrada no mercado formal de trabalho, garantindo direitos trabalhistas e reduzindo o risco de estigmatização. Independência financeira A independência financeira é apontada pelas autoridades como um dos fatores decisivos para que mulheres vítimas de violência consigam romper com relacionamentos e ambientes abusivos. Para Cândice, Mato Grosso do Sul possui um mercado economicamente forte, capaz de abrir oportunidades para que o trabalho se transforme em uma ferramenta de autonomia e libertação. “Essa política visa tentar coibir esse problema, essa vulnerabilidade que elas têm, principalmente financeira, que muitas vezes faz com que elas não tenham condições de romper o ciclo de violência”, afirmou Cândice. O lançamento do programa ocorre no contexto das ações relacionadas aos 20 anos da Lei Maria da Penha, considerada um dos principais marcos legais no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil. A ministra adjunta das Mulheres, Eutália Barbosa, acompanhou o lançamento. Segundo ela, a iniciativa se soma ao pacto nacional de enfrentamento ao feminicídio. A proposta do governo federal também busca integrar esforços dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para combater a violência de gênero no país. “Vale a pena nós termos leis como a Maria da Penha, vale a pena lançarmos uma política como essa e vale a pena fortalecermos e falarmos bem dos serviços de proteção à mulher. […] Essas iniciativas públicas, de política pública, salvam verdadeiramente a vida das mulheres”, concluiu. Veja mais vídeos de Mato Grosso do Sul.