Suspeita sequestra bebê para encobrir gravidez falsa e plano foi feito antes de menina nascer, revela polícia

Sequestro, fuga ao Paraguai e rastreador: entenda como bebê de MS foi encontrada O sequestro da bebê Ayla Emanuelly, resgatada no Paraguai três dias após de...

Suspeita sequestra bebê para encobrir gravidez falsa e plano foi feito antes de menina nascer, revela polícia
Suspeita sequestra bebê para encobrir gravidez falsa e plano foi feito antes de menina nascer, revela polícia (Foto: Reprodução)

Sequestro, fuga ao Paraguai e rastreador: entenda como bebê de MS foi encontrada O sequestro da bebê Ayla Emanuelly, resgatada no Paraguai três dias após desaparecer, foi planejado por Suzilaine da Graça Costa antes mesmo do nascimento da criança. A informação foi divulgada pela Polícia Civil em entrevista coletiva nesta sexta-feira (14). A investigação concluiu que a mãe de Ayla, de 17 anos, foi dopada e mantida em cárcere privado no dia do crime. Além de Suzilaine, foram presos e indiciados por sequestro o marido dela, Alex Melo de Abreu, e um amigo que, segundo a polícia, ajudou na ação. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp O g1 não localizou as defesas do casal até a última atualização desta reportagem. Apenas a defesa do terceiro suspeito foi encontrada, que informou que está se inteirando sobre o caso. Leia a nota na íntegra mais abaixo. Após uma avaliação psicossocial, a Justiça autorizou o retorno da bebê para a mãe. Ayla foi entregue à família nesta quinta-feira (13), sete dias após o sequestro. Gravidez falsa e ensaio fotográfico como isca Mulher foi presa suspeita de sequestro em Campo Grande. Polícia do Paraguai/Reprodução Segundo a delegada Anne Karine, da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), Suzilaine fingiu estar grávida para a família e se aproximou da mãe de Ayla durante a gestação. "A suspeita disse que estava grávida. Ela disse que tinha feito uma curetagem na Santa Casa, mas a gente acredita que ela nunca esteve grávida. Ela falava tanto que estava grávida, para todos". Ayla tinha menos de um mês de vida quando foi sequestrada, em 6 de agosto, em Campo Grande. A bebê foi encontrada na madrugada de domingo (9), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, após mais de 48 horas de buscas em uma operação conjunta entre policiais dos dois países. Conforme a polícia, o plano para ficar com Ayla começou ainda durante a gravidez da adolescente. A delegada explicou que Suzilaine inventou a gravidez para os familiares e passou a sustentar a mentira. Nesse período, ela entrou em grupos de WhatsApp de compra, venda e doação de enxovais. "Ela realmente planejou esse sequestro porque tinha o intuito de ter uma filha. Ela buscou outras gestantes que dariam à luz na mesma época da Ayla, só que ela queria uma menina. Então, ela buscou, ela arquitetou tudo isso durante um bom tempo para conseguir", explicou a delegada. Nesses grupos, Suzilaine conheceu a mãe de Ayla, que procurava doações de roupas e outros itens para a filha. Segundo o inquérito, as duas passaram a conversar, e Suzilaine conquistou a confiança da adolescente. A polícia acredita que ela esperou o nascimento de Ayla para colocar o plano em prática. A suspeita chegou a oferecer um ensaio fotográfico para atrair a mãe da bebê. Mulher induziu mãe ao cativeiro Após o nascimento de Ayla, a adolescente foi atraída para uma casa com a promessa de receber R$ 100 para cuidar de outro bebê. Ela estava acompanhada da irmã, de 12 anos, e da filha. No imóvel, a jovem foi dopada e mantida em cárcere privado. Nesse momento, Ayla foi levada. Em depoimento, a mãe contou que Suzilaine ofereceu água para ela e para a irmã. A adolescente disse que não dormiu, mas a irmã, de 12 anos, adormeceu e só acordou por volta das 20h. A jovem também contou que foi ameaçada para entregar a filha. Segundo ela, Suzilaine afirmou que, se houvesse recusa, ela e a irmã seriam "jogadas em um buraco". Para a delegada Anne Karine, o sequestro de Ayla não foi uma ação improvisada, mas o resultado de um plano feito antes mesmo do parto. Fuga para o Paraguai Logo após o crime, Suzilaine fugiu com a bebê para o Paraguai. Segundo a polícia, ela e o marido pretendiam morar no país. A bebê foi localizada na madrugada de domingo (9), em uma casa de Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Suzilaine e o marido, Alex Melo de Abreu, estavam no local e foram presos. Os policiais encontraram a menina após mais de 48 horas de buscas. O rastreamento de celulares e o cruzamento de dados ajudaram a equipe a identificar a fuga para o Paraguai e localizar o imóvel. A operação mobilizou forças de segurança dos dois países por meio do Comando Bipartite, que reúne policiais brasileiros e paraguaios. Agentes da unidade antissequestro do Paraguai também participaram da ação. O caso marcou o primeiro acionamento do Amber Alert Brasil em Mato Grosso do Sul. O mecanismo amplia a divulgação de informações sobre crianças e adolescentes desaparecidos em situação de risco. Polícia descarta venda da bebê A Polícia Civil descartou a hipótese de venda da bebê. Segundo a investigação, Suzilaine pretendia criar Ayla como se fosse sua filha. A suspeita de falsa gravidez, segundo a polícia, reforça essa conclusão. Três pessoas foram presas durante a investigação. Além de Alex e Suzilaine, encontrados com Ayla no Paraguai, um homem foi detido em Campo Grande. Segundo a polícia, ele teria alugado o imóvel usado no crime. Alex também era foragido da Justiça do Amazonas. Ele foi condenado a 11 anos e seis meses de prisão em regime fechado por homicídio. Segundo as autoridades paraguaias, ele usava uma identidade falsa. Em nota enviada anteriormente ao g1, a defesa do homem preso em Campo Grande afirmou que pretende demonstrar que ele não tem relação direta com os fatos investigados. Leia a nota na íntegra abaixo: "Estamos tomando conhecimento dos fatos e analisando os autos. É muito cedo para manifestos concretos, até porque ele assegura não saber a finalidade da atividade de qualquer ato que aconteceu. Imaginem o seguinte: se você soubesse que tal ato ilícito seria praticado, você concordaria? Claro que não, pelo amor de Deus, ele é trabalhador, tem família, amanhã é dia dos pais, enfim. Atribuir toda essa interpretação a ele seria praticamente desumano e injusto, ainda mais um rapaz trabalhador, familiar e uma pessoa comum. Mas, tudo isso será discutido e apresentado no decorrer dos fatos e a sociedade entenderá que é importante não julgar agora de maneira popular para não se arrepender depois".